Detalhes do trabalho
Autor:Ademir Antonio Engelmann
Título:Maquiavel: secularização, política e natureza humana
Instituição:PUC de Sao Paulo
Orientador:Antonio José Romera Valverde
Banca:Antonio José Romera Valverde (orientador), Marcelo Perine (PUC/SP), Alberto Ribeiro Gonçalves de Barros (USP)
Data:30/09/2005
Tipo:mestrado
Classificação de Dewey:
Palavras chave:
Resumo:A pesquisa demonstrou que a discussão em torno da noção de soberania contribuiu, lentamente, para o desenvolvimento das idéias políticas. Se durante a Idade Média, as disputas entre os defensores do poder temporal e do poder divino despertaram o interesse dos pensadores da época em analisar a realidade política e os resultados decorrentes dela, foi com o humanismo cívico que a política passou a ser refletida com maior ênfase, a partir do resgate do pensamento antigo e da concepção de que o homem pode organizar-se em sociedade, criando as leis de acordo com as próprias necessidades. A política, não é obra do acaso, é uma manifestação natural do homem, que a utiliza para a organização da vida coletiva e preservação do corpo social. É desta perspectiva que Maquiavel dedicou-se a tratar da política, tomando em conta a experiência advinda do exercício de Chanceler da República de Florença; posteriormente explicitada em teoria política, tendo como pano de fundo a Itália, que encontrava-se cindida em principados e em repúblicas e, de outro lado, a Igreja constituía-se na grande força política e religiosa das cidades-estado italianas, cujo objetivo era fortalecer-se institucionalmente e não a unidade política na Itália. Dada esta realidade, Maquiavel refletiu e formulou idéias sobre a política de modo geral, e, em particular, de como a Itália poderia superar tal situação por meio de um ator político capaz de vencer as adversidades e conduzi-la de modo vir-a-ser uma potência. Somente um governante decidido, que soubesse agregar as forças das diferentes facções existentes na Itália, que ousasse formar um exército forte, e fizesse das leis, da educação e da religião instrumentos para viabilizar a governabilidade, mantendo a aparência frente aos súditos, possibilitaria o vivere civile no Regnum Italicum, partindo do princípio de que os homens são propensos ao mal, que há uma natureza humana que deve ser controlada e que o governante possa valer-se de meios extraordinários se necessário. Maquiavel encontrou na história e nos grandes homens do passado, exemplos dos que utilizaram o poder das leis, das armas, da educação e da religião para desenvolver a teoria da ação política eficiente. A pesquisa ocupou-se deste universo, analisou as idéias políticas de Maquiavel e sua concepção de natureza humana, que visa, em princípio, a satisfação dos próprios interesses e desejos, sendo que para controlá-la deve imperar a lei ou a força.
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