| Resumo: | Este trabalho procura levantar alguns elementos da leitura que Herbert Marcuse faz da teoria freudiana. A partir desta leitura, Marcuse propõe devolver à Psicanálise sua condição de crítica social, e tentar derivar do pensamento de Freud a possibilidade de uma civilização que não seja baseada na repressão. Para tanto, Marcuse procura identificar os momentos cruciais em que o indivíduo é reprimido (filogenético e sociológico). Desta divisão ele constata que na "sociedade afluente" existe uma repressão que excede a repressão necessária para o estabelecimento da civilização, mas que a própria Psicanálise tem elementos que explicariam a tendência dominadora e destrutiva da sociedade. Isto feito, Marcuse parte de uma noção pouco explorada por Freud, a sublimação, para tentar demonstrar a possibilidade de uma civilização não repressiva. Reportando-se a uma tradição filosófica do século XVIII, que visa a recuperação da estética como disciplina filosófica, Marcuse demonstra que nos objetos sublimados da arte residem não só os símbolos da repressão, mas também da libertação. Resta-nos saber se esta conseqüência é de fato derivável da Psicanálise, ou se ela não aponta mais para seus limites. |